segunda-feira, 16 de maio de 2011

Consolação

Sensações. Daquelas que nos contornam, nos adornam. Daqueles idiomas diluídos em nudez, das revisões lambidas e dilaceradas com todas as parafernálias literárias. Antes uma mulher nua, com atributos que muitas vezes falavam por ela de alguma forma. Lâmpadas neon republicanas, paulistanas depravadas. Antes uma flecha de luz que penetrava sob o olhar de algum sujeito subversivamente conjugado por aí. Antes uma criatividade inutilmente criada e muitas vezes aceita.
Hoje uma sombra contornada de azul que muitas vezes não se expressa. Não se espalha. Algo que embala os futuros sonhos de futuras-coisas-do-futuro. Antes um furacão que bagunçava tudo. Hoje uma Maria que calmamente recolhe os pedaços caídos no chão. Antes rádios ligados e enganos deliciosamente cometidos. Hoje uma seriedade sombria, que carrega consigo uma falta de paciência avassaladora. Antes eu, hoje...eu.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Entre-Act

Cansei de informações empacotadas e armazenadas no ladinho "tanto faz" do cérebro. Toda aquela punhetagem intelectual alimentada a pão e circo - sem exageros - de palavras robustas e completamente sem retórica de porra nenhuma. Aquele rótulo inexistente de "vagabundo nato" que não se envolve com os tais mistérios, que narra o que simplesmente não viveu. Aquele que só sonha, mas tem medo de chutar macumba e acordar no outro dia com a boca cheia de formigas. Aquela velha estorinha de quem tem medo de gerar um universo e não conseguir carregá-lo, ou simplesmente ser seco ou tardiamente gélido a ponto de se jogar no buraco e não chegar ao fim dele. O melhor de gerar é ver nascer. Deixar morrer.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Até quando?

Santo hedonismo. Barquinhos de papel flutuando num doce mar lúdico. Barcos afundam, pessoas, planos, sonhos, medos - Afundam. O que te puxa pra baixo é a linha do destino, ou as famosas linhas tortas que Deus escreve nossas lascivas histórias. Nós somos artistas de circo: nos equilibramos na corda da vaidade. Sempre com o peso de quinhentos sonhos nas costas. Sonhos meus, sonhos teus, sonhos nossos. Carregamos toda a dor do mundo no umbigo. "A corrente se tornou mais forte que minhas braçadas." Todo esse álibi consolador da solidão que move São Paulo: o movimento. A calada das vielas, o cheiro das boites libidinosas. As milhares de putas que prometem amor por dois reais. Santo hedonismo! E eu morrendo por não cobrar nada.

domingo, 14 de março de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Velho Flagelo Escrito

Eu tenho algumas chaves guardadas. Portas, caminhos, destinos, lugares. Guardo uma volúpia sufocante nos olhos. "Acenderam as luzes justamente quando eu ia lhe mostrar o infinito em brasas." A mágica do belo porra nenhuma. O mentor mata o leão a dentada mas sucumbe diante dos poderes de uma frágil costela. É essa (e tudo que houver around) a nossa arte. É o sopro do levante. O grande flagelo da massa. Essa é a saga da bucetinha gostosa que vos write. Eis o bruto - puro e unânime - bruto. Um deleite corporal ou uma gaveta velha? Dois peitões deliciosos ou uma bela merda de(mente)?
Que romantismo cruel! Minhas chaves guardadas cheiram a sexo, ao fogo de tudo que eu vivi. De punhetinhas dançantes a sexo selvagem num hotelzinho pulguento. De mordidas sangrando a bela cumplicidade de dois amantes. Da mais pura cafajestagem ao mais bruto sentimento de piedade. De vômitos na sala as flores que guardei na geladeira. Da mais deliciosa perversão ao simples nada. Do fogo ao vento. Do venha a nós ao vosso reino a explosão da carcaça. Devassa, lasciva. Eu - eu e eu - Mais eu.

retirado do meu ex-blog-que-foi-invadido :)

sábado, 30 de janeiro de 2010

Confissão

"[...]
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.

no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado

e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas

e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:

eu
te amo."



Estranhamente, declaro: o poema é de Bukowski.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"Adolf Hitler sorri no inferno"

"Morreu de bruços no salmo 23,
sem padre, sem repórter
sem arma, sem socorro
[...]
Era a brecha que o sistema queria
Avise o IML, chegou o grande dia."

Nosso adeus, irmão. Caixão lacrado. Vinte gramas de pólvora na cabeça. E muitos sonhos na mente. Milhares deles. Sonhos de guerreiro, de alguém que sempre protegeu tudo que amava. Me incluo nessa proteção. Você faz parte da minha vida, e seja lá o que for vida, OBRIGADA! Seu coração foi baleado mas os seus ideais permanecem vivos em cada criatura que cruzou seu caminho. Os seus sentimentos permanecem intactos dentro de nós. Sempre vou me lembrar daquele dia que você escreveu uma parte da música do Racionais no meu braço, como se fosse uma tatuagem, pra que eu nunca mais esquecesse:

'Na muralha, em pé, mais um cidadão José
Servindo o Estado, um PM bom
Passa fome, metido a Charles Bronson'

Hoje eu entendo o porque de tudo isso. Você sempre soube que nós faríamos a diferença. Porque nós lutamos muito por isso, fizemos o que pudemos sempre. Sinto saudade das tardes ensolaradas no CCSP (compondo e sorrindo como dizia você). Sinto saudade de saber que eu tinha um irmão, que mesmo sendo completamente estranho e feio, era a minha melhor companhia de ARTE. Arte-arte e aprontador de arte também!

Tenho certeza que aí no paraíso onde você se encontra (ou seja: um lugar com muita orgia, whisky e rap) é muito melhor que essa merda de mundo. Você sabe que justiça não se faz com as próprias mãos e sim com os próprios pensamentos. Quantas vezes nós discutimos a terrível impunidade, né? Concordamos no aspecto que ela move ilusões. E não importa a quantidade de sangue que jorre. Nem as almas que subam. "O que importa é ter historinha pra contar, Nat! Somos escritores da vida."

Irmão, você escreveu a sua história. Mas o ponto final foi escrito por eles. Justo?
Ponto.

"E lembre-se que apesar de o amor ser estranho
Agora e sempre nosso amor permanecerá"

Jah bless you, guerreiro!